Arraste em torres de resfriamento causa perdas, riscos ambientais e sanitários. Veja como controlar com eliminadores de gotas e projeto técnico adequado.
Arraste é só perda de água? Não exatamente. Em muitas plantas industriais, o arraste (ou drift) ainda é tratado como uma perda aceitável. Mas ele pode ser o elo silencioso entre custos desnecessários, risco ambiental e falhas operacionais futuras. Quando ignorado, o arraste se torna um problema de eficiência e segurança, não apenas de volume de água perdido.
Durante o funcionamento da torre, ar e água interagem intensamente. Esse é o princípio do resfriamento evaporativo. No entanto, junto com o ar, pequenas gotículas de água podem ser levadas para fora do sistema, é isso que chamamos de arraste.
Esse fenômeno ocorre quando o sistema de eliminadores de gotas não é eficiente o suficiente para capturar essas partículas líquidas antes que saiam pela corrente de ar. E aqui está o ponto cego: mesmo em torres novas, se o projeto não considerar o controle de arraste com rigor técnico, os impactos podem ser severos a médio prazo.
Evaporação faz parte do processo. Já o arraste é perda. E mais: é perda com composição química. As gotas que escapam carregam resíduos do tratamento de água, sais minerais e outros elementos que não deveriam estar circulando livremente no ambiente externo da planta.
Além do desperdício hídrico, esse material pode oxidar estruturas metálicas próximas, afetar equipamentos e contaminar o entorno com substâncias que, acumuladas, causam danos sérios — inclusive legais.
Bactérias como a Legionella pneumophila, causadora da Doença dos Legionários, se disseminam por gotículas em suspensão. Torres com arraste descontrolado criam um ambiente ideal para esse tipo de contaminação aérea.
O problema é invisível e, por isso, perigoso. A negligência no controle do arraste pode transformar um sistema técnico em uma fonte de risco biológico para trabalhadores e comunidades próximas.
Eliminadores de gotas mal dimensionados, sujos ou posicionados de forma incorreta perdem eficiência rapidamente. Isso não apenas compromete a retenção das gotículas, mas também provoca obstrução do fluxo de ar, aumentando a velocidade interna da torre, o que agrava ainda mais o fenômeno do arraste.
Outro ponto crítico é a existência de frestas, aberturas ou blocos de eliminadores mal encaixados, que criam caminhos preferenciais para a passagem do ar carregado de gotas, elevando significativamente as perdas.
Além disso, há um erro comum na tentativa de “otimizar” o desempenho: alterar o ângulo das pás do ventilador sem análise técnica. Essa prática, feita sem o suporte da equipe de engenharia, pode alterar o equilíbrio do sistema, afetar o fluxo de ar e aumentar diretamente o arraste.
O controle de arraste não depende apenas da presença dos eliminadores, ele está diretamente relacionado à qualidade do projeto, à correta instalação, ao posicionamento dos blocos e à manutenção periódica do conjunto.
A legislação ambiental já trata o controle de emissões líquidas e gasosas com critérios cada vez mais rigorosos. Ignorar o arraste pode colocar sua operação fora dos padrões de conformidade.
Em auditorias ambientais ou sanitárias, esse ponto pode pesar — e sair caro. Monitorar o arraste é uma medida de prevenção e proteção à sua reputação corporativa.
Medir o arraste diretamente, no fluxo de ar que sai da torre, é algo extremamente complexo - e, na maioria dos casos, inviável na prática industrial.
Por isso, o que se recomenda é o monitoramento constante do volume de água reposto no sistema. Se houver um aumento repentino ou variações fora do padrão histórico, isso pode ser um indicativo de que o arraste está acima do aceitável, desde que descartadas outras causas, como vazamentos ou alteração na taxa de purga.
Vale destacar que, por se tratar de uma perda relativamente pequena em relação à evaporação e à purga, o acompanhamento do volume reposto funciona como uma ferramenta de tendência, não como medição exata.
Outra forma prática e eficiente no dia a dia da operação é realizar uma inspeção visual e sensorial no entorno da torre. Se ao caminhar próximo for possível perceber uma garoa constante, isso geralmente é sinal de que o sistema está operando com níveis de arraste acima do esperado.
Esses sinais, quando identificados, indicam que é o momento de checar o estado dos eliminadores de gotas, verificar o posicionamento dos blocos e avaliar se há necessidade de intervenção técnica.
Se sua planta opera com torres de resfriamento, entender e controlar o arraste é parte do que sustenta a performance, a sustentabilidade e a segurança da operação.
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